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sábado, 5 de setembro de 2020

Ouro procurado, Ouro desperdiçado.

 


Ouro procurado, Ouro desperdiçado.

Depois da saída dos chineses, de Bozoum, já há alguns meses, ficou comprovado como tinham deixado o rio e as zonas onde escavaram.

Também a Amnistia Internacional voltou ao assunto, com uma declaração transcrita assim: “ Apesar das saída das empresas chinesas continua a ser necessário realizar uma investigação para prestar contas e reparar”. Aqui está o documento em francês e inglês:

https://www.amnesty.org/en/documents/afr19/2708/2020/en/

https://www.amnesty.org/fr/documents/afr19/2708/2020/fr/

No sábado passado, por fim arranjei tempo para ir dar uma olhadela. E descobri a desolação: hectares do rio e margens afetadas por montanhas e buracos, onde se encontra estancada uma água densa e esbranquiçada.

Nenhum trabalho de instalação se fez, apesar das promessas do Primeiro-Ministro, dos Ministros das Minas, do Ambiente e dos Ministros das Águas e das Florestas. Apesar da presença, em Bozoum, de autoridades que deviam justamente desenvolver um trabalho de controlo (Serviço prefeitoral das Minas, Serviço prefeitoral do Ambiente, a Brigada das Minas). Apesar das garantias dadas pelo Prefeito, do Vice-Prefeito, e das várias autoridades.

Os diversos lugares são muito perigosos. Um habitante do povoado de Poyele disse-me que, quando alguém tem que atravessar a zona, faz-se acompanhar sempre, com medo de cair num buraco, ou que a terra se desmorone. Infelizmente os mortos afogados já são muitos. Demasiados.

E enquanto vejo tanta desolação, convenço-me, mais uma vez, de que devemos trabalhar mais e melhor, começando sobretudo pela educação.

 E precisamente por isso, terça-feira 1 de setembro, e quarta-feira 2, reabrimos as nossas escolas.

Fechadas por causa do coronavirus, em fins de março, queremos reabrir agora para tentar recuperar o tempo perdido, e para assegurar um novo ano letivo. O trabalho será duro, mas quanto mais esperamos mais e mais crianças e jovens correm o fisco de perder praticamente dois de escola.

O Governo ainda não fixou uma data para a abertura das escolas, que correm o risco de permanecerem fechadas até janeiro de 2021. E isto não é aceitável.

Ouro procurado, ouro desperdiçado.

 












 

 

domingo, 30 de agosto de 2020

As orquídeas estão de volta

 

 

As orquídeas estão de volta

Quando regressei Bozoum, a 12 agosto, em seguida procurei, as orquídeas, entre as mangas da Missão. 

Todos os anos, em agosto, florescem pontualmente. Os ramos das mangas (e quem sabe por que só as mangas? E quem sabe por quê só aqui na Missão de Bozoum?) iluminam-se de formosas faixas de estrelas brancas.

Estamos todavia em plena estação das chuvas; frequentemente as estradas mo recordam, cheias como estão poças e de lama.

Na quarta-feira de manhã, terminada a quarentena depois do regresso de Itália, saio para Yaloke, a 170 Kms. de Bozoum. No comissariado do povo tenho que recuperar a documentação do carro e o relatório do acidente. Sigo para Bauro onde visito a nossa Comunidade. Pela tarde estou em Bouar; aqui fico até ao dia seguinte para reuniões da Cáritas, e sobretudo para me encontrar com os meus Confrades e planear as diferentes etapas dos nossos jovens em formação.

Quinta-feira regresso a Bozoum, debaixo de chuva.

É que as orquídeas estão à minha espera.