Número total de visualizações de páginas

domingo, 1 de outubro de 2017

S. Miguel e ares de guerra



Gauthier con la carrozzina nuova
Gauthier


S. Miguel e ares de guerra
 Domingo Celebramos, com alguns dias de anticipação, a festa do Padroeiro da Paróquia de Bozoum, S. Miguel Arcanjo.
Precedida por dois dias de preparação, a festa de S. Miguel é um momento especial para nossa Paróquia, que se detem para refletir nas suas próprias origens e confiar no poder, e proteção de Deus.
No sábado, pela tarde, atravessamos o bairro da Missão com Imagem de S. Miguel em procissão, com muita gente que rezava e cantava.
No Domingo, pela manhã, Missa Solene às 8,30h: muita gente, uma intensa oração, cânticos e danças. Imediatamente depois da Missa, houve alguns desafíos de futebol e de basquetebol. Às 12'30h. almoço (matanga) com catequistas, os responsáveis de vários grupos, e todos os que, de um modo ou doutro, se apresentaram para ajudar a Paróquia.
O dia de festa, no entanto, fica nublado por um véu de preocupação: no dia anterior, sábado 23, a cidade de Bocaranga foi assaltada, de novo, pelos rebeldes do grupo 3R (área Seleka), obrigando, deste modo, as pessoas a fugir. A intenção dos rebeldes é a de ocupar a cidade, e não parece que tenham intenção alguma de sair, por enquanto. A sua chegada desencadeou o pânico, e a fuga foi geral. Houve mortos assassinados pelos rebeldes, e tudo sucedeu sob o olhar dos Capacetes Azuis, que os deixaram fazer tudo o que quiseram.
Muitas das pessoas que fugiam chegou aqui a Bozoum: 125 quilómetros de estrada, e muitos fizeram o trajeto a pé. A preocupação da guerra vizinha une-se ao sofrimento de ver milhares de pessoas que perderam tudo.
Nestes dias estamos organizando, (aqui em Bozoum), sua presença. De manhã, muito cedo, sábado, começaremos o censo, família por família, de forma a que tenhamos os números que nos permitam entender como intervir. Necessitam-se casas, comida, medicamentos, escolas, utensilios de cozinha…. Mas necessita-se sobretudo de PAZ. Uma necessidade (quase) muito distinta. Douradoura….





P.Matteo



Osso di elefante
Un os d'éléphant

Riunione rifugiati
Réunion déplacés

Rifugiati di Bocaranga a Bozoum
Déplacés de Bocarnga à Bozoum





domingo, 24 de setembro de 2017

E são 25 anos (mais um)




E são 25 anos (mais um)
Faz hoje precisamente 25 anos que cheguei à África-Central. Era o dia 22 de setembro do ano 1992. Já tinha estado em Bozoum um ano, entre 1982-1983. Mas em 1992, parecía-me estar já há muito tempo, e de verdade. Nem acreditava que já tinha passado um ano, só pude dar graças a Deus, às pessoas, à minha Família Carmelita, e à minha Família de sangue, por tudo o que recebi nestes anos. Vinte e cinco anos passam como um sopro, e passaram muito velozes. Vamos ver os próximos anos.
No sábado, dia 16, estive em Bouar com as nossas Comunidades de formação. Pela manhã, durante as Laudes, sete jovens receberam o Hábito e, deste modo, deram inicio ao seu ano de Noviciado. Um pouco depois, três jovens terminaram o seu ano de noviciado, emitindo os seus Votos: Prometeram a Deus viverem em Pobreza, Castidade e Obediência.
O mês de Setembro, aqui na África-Central, é o período de voltar, de novo, às actividades pastorais e educativas.
Domingo, dia 17, os vinte Movimentos da Paróquia estavam presentes para a Eucaristia das 8,30h., na qual começamos as atividades pastorais. Nestes dias recomeça-se a catequese: à volta de 3000 crianças, jovens e adultos que se preparam, assim, para cereber o Batismo, daqui a quatro anos.
Segunda-feira foi o dia da abertura das escolas, em todo o País. E finalmente, depois de dois meses de férias, os caminhos, a praça e as aulas da Missão enchem-se de vozes de centenas de crianças, desde a creche ao Liceu, passando pelas escolas elementares e outros cursos. Todos estão contentes: Os Professores, os Padres e as crianças: é assim mesmo, entre os mais pequenos, inclusivamente, ninguém chora.
Treça-feira, pela manhã, pus-me a caminho e desci a Banguí. Tivemos dois de dias de trabalho com Giovani, arquiteto, que chegou para nos ajudar a ver novamente o projeto da construção do Carmelo de Banguí
Voltei a ir a Bozoum na Sexta-feira de manhã. Contente pelo trabalho realizado, mas também preocupado porque, justamente nestes dias, recebemos uma carta na qual a MINUSCA (os Capacetes Azuis) acusam a Igreja Católica de apoiar as milicias anti-balaka e de estar contra os mussulmanos.
Precisamente quando muitas missões acolhem e defendem, os mussulmanos, protegem-nos e tratam os seus doentes.
Entretanto alguns Padres são ameaçados por denunciar públicamente o que está sucedendo (por isso um Capuchinho polaco foi maltratado durante quatro horas)…Ao mesmo tempo estavamos em reunião com os líderes Religiosos (Católicos, Protestantes, e Mussulmanos).
Desagrada-me receber estas cartas, e certas acusações, precisamente de quem deveria defender os civis, e nem sequer tiveram a coragem de ir socorrer o Padre que estava a ser torturado (passaram a 15 metros de distancia… e não pararam).
Ânimo!









Riunione a Bangui con p.Federico, p.Arland, p.Mesmin, p.Dieudonné e l'arch. Giovanni (a dx)




sábado, 16 de setembro de 2017

Preparando a escola







Preparando a escola
Na África-Central as escolas abrem (mais em teoria que na práctica) a 18 de Setembro, Segunda-feira.
Na missão de Bozoum, entre a Escola Materna, Alfabetização, Centro de formação
 de Artes e Ofícios, Elementares, Médias e Liceu, há mais de 1.500 rapazes e raparigas  que vão à missão todos os dias.
 Reabrir as escolas depois das férias, significa muito trabalho: Limpeza, uma demão de pintura onde for necessário, reparações de bancos e carpintaria, confeções dos uniformes para os alunos. E muita formação.
Nestes dias os professores das escolas Elementares trabalharam no programa para as primeiras classes, com a integração da língua nacional, o Sango, e a introdução do método "Aprender jogando".
De Quarta a Sexta-feira os professores do nosso Liceu "San Agustín" trabalharam em alguns aspetos do ensino, como: a programação, a preparação dos boletins de notas, a colaboração entre os professores e a relação com os alunos.
A situação do País continua preocupante. Toda a nossa zona está cheia de violências e ataques contra as aldeias, pessoas e Famílias. No Domingo, 10 de Setembro, algumas aldeias, na estrada entre Bouar e Bocaranga foram atacados por alguns peul (criadores de gado nómadas) e queimados. Nos dias seguintes algumas ONG foram ameaçadas pelos anti-balaka na zona de Bocaranga. Em Bouar um jovem mussulmano foi assassinado por vingança, porque despois de ter sido roubado, denunciou o deliquente. O ladrão, depois de ter sido detido, foi libertado pela policía local, e vingou-se. Deste modo, ontem, os jovens e toda a cidade, estavam agitados, com barreiras levantadas pelos anti-balakas em muitas estradas.
O Governo, em tudo isto, está completamente ausente, e não há nenhuma reação concreta. Também os Capacetes azuis são acusados de imobilismo, de pouca eficiência e, com frequência, também de conivência com uma parte dos rebeldes.
Na Quinta-feira tinha, no programa, ir a Bocaranga, para organizar o ano escolar (A Cáritas Alemã nos ajudará animando uns 150 Professores) Mas finalmente tive de mudar o programa, porque há demasiada tensão, e voltei para Bouar. A viagem foi tranquila, ainda que as estradas estejam cada vez piores.
Aqui levo o material sanitário (luvas, ceringas, gazes) que a empresa checa Schubert nos ofereceu. Entrego-o às Irmãs que dirigem o dispensário de Wantigera e os hospitais de Maigaro e Niem.
Um belo sorriso, destas Irmãs, recompensa muitas viagens e muitos perigos.







Wantigera



Sr Giulia, a Maigaro


domingo, 10 de setembro de 2017

Coisas boas e más







Coisas boas e más
 Domingo 3 de setembro (isto é o mau) um grupo de rebeldes Seleka chegou a Ndim, uma aldeia a 160 quilómetros de Bozoum. Desde há alguns meses a zona está debaixo  de uma grande tensão,  grupos de rebeldes vão e veem e ficam para controlar a fronteira com os Camarões e com o Chade (vivem de roubos, saques, violências e incomodam os poucos comerciantes que se aventuram a abastecer as cidades e aldeias de mercearias  de primeira necessidade).                                                                            
  Domingo chegaram a Ndim, e fizeram refém a esposa do Alcaide (uma mulher muito competente) e o Pároco, P. Robert, capuchinho, polaco.
Ao Padre insultara-no porque defende as pessoas e denuncia o que está mal, foi esfaqueado e torturado. O povo encheu-se de coragem e conseguiram libertá-lo.
Preocupa-me muito o que sucedeu, porque tinham a intenção de assustar e fazer calar as poucas pessoas que denunciam os criminosos, mas também há quem por incompetencia e falta de vontade, deixam fazer: como fazem o governo e os capacetas azuis.
O bom... é o último trabalho feito na Igreja: ficaram por nivelar as duas colunas que sustêm o Sacrário e a Imagem de S. Miguel, o titular da Igreja. Tinhamos previsto que se fizesse uma escultura em madeira, mas o artista, depois de receber um sinal (em dinheiro) desapareceu. Agora mudamos o projeto, e chamamos um pintor, o mesmo, que tinha pintado os Apóstolos, e a decoração do ano passado.
Acabamos de fazer o trabalho: trata-se de uma decoração muito simples, mas que atrai a vista com as suas vivas cores. E sobretudo, atraiem para o Sacrário, onde está a presença Eucarística de Jesus. E sobre S. Miguel, sobre o qual esvoaçam alegres quatro Anjos.  
Sobretudo é importante, quando o mal parece prevalecer, aportar e criar beleza. Que é um dos Nomes de Deus.

P.S. O galo, do Domingo passado, o que fez o percurso de 50 quilómetros, está bem por agora…