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domingo, 20 de setembro de 2020

Começos

 

 

Começos

 Sábado 12 de setembro é um grande dia para o pequena aldeia de Bokongo, a 15 quilómetros de Bozoum, no caminho de Bangui. Hoje inauguramos a nova capela, e é uma grande festa para todos.

Enquanto nos preparamos para a Missa, vejo entre as pessoas alguns rostos desconhecidos e novos, pessoas que vieram das aldeias vizinhas. Há também Pastores de outras igrejas protestantes e muitos outros.

O P. Mateo benzeu a capela do lado de fora, e depois entramos todos juntos em procissão. É bonito ver este espaço cheio de gente que reza, canta, dança e celebra com alegria a graça de Deus.

As pessoas estão muito contentes. Viemos com algumas pessoas de Bozoum (catequistas, coro, pedreiros e carpinteiros). E hoje há duas procissões no Ofertório. A primeira é para a comunidade de Bokongo, e a segunda para os pobres de Bozoum e da aldeia. E neste ponto vemos com surpresa, que entretanto também o Peul, (pastores nómadas), veio. São muçulmanos e quiseram dar também um pequeno sinal de gratidão.

Depois da Missa, há um clima de festa: enquanto as pessoas dançam, e se encontram, algumas mães acabam de preparar o almoço para os convidados, catequistas, pedreiros...

Um dia depois, Domingo 13 de setembro, celebramos na paróquia o início do ano pastoral. Depois de uma paragem das atividades, por causa do coronavirus, é o momento (com cautela) de retomar a catequese e as atividades dos movimentos.

Também eles se apresentam hoje com dons para os pobres e para os órfãos da paróquia. Em Bozoum as pessoas são muito generosas!

Segunda-feira desço Bangui com alguns Confrades: nestes dias o nosso Superior Provincial, P. Javier, veio visitar-nos. Estamos no início do triénio, é o momento de mudanças para novos destinos para muitos de nós. Nestes dias encontramo-nos e procuramos ver o que é melhor para responder às necessidades das pessoas, e da Igreja na África-Central, e sobretudo, para compreender qual é a vontade de Deus.


P.Matteo










Bozoum




 

 

domingo, 13 de setembro de 2020

Construir e reconstruir

 

La nuova cappella di Bokongo
La nouvelle chapelle de Bokongo



Construir e reconstruir

Despois de alguns meses de trabalho, amanhã, sábado 12 de setembro, benzeremos a nova capela da aldeia de Bokongo

Já há alguns anos, graças à generosidade de gente boa, escavamos o poço e construímos  uma bonita escola. E, agora graças à generosidade de outra pessoa, um Sacerdote, pudemos construir uma bonita capela.

De forma retangular, com um campanário em forma de cruz de ferro na fachada, para criar um espaço coberto. A pequena capela mede 12 metros por 7. Muito luminosa e arejada, está construída com ladrilhos de terra estabilizada (uma técnica nova, aqui na  África-Central).

No interior, (da capela), encontram-se os bancos para o povo, e na zona da celebração Eucarística, um altar de madeira. E no fundo há uma cruz, e um bajo-relevo em terracota, que representa a Sagrada Família (à qual a capela está dedicada).

Esta aldeia, a 15 quilómetros de Bozoum, terá assim um belo lugar para rezar, e celebrar.

E nesta aldeia há 200 famílias de Peuls (pastores nómadas) que regressaram. Trata-se de tribos nómadas, cuja única riqueza é a de criar vacas. Estavam aqui em fevereiro, e já então tínhamos tentado ajudá-los. A aldeia acolheu-os sem demasiados problemas. Eles tentaram ir mais para o sul, mas agora regressaram novamente.

É uma aldeia muito antiga, com tradições muito antigas, os Peuls provenientes do Chad e de países como a Nigéria e os Camarões. Estão na África-Central desde o princípio do século XX, e para eles, fronteiras e leis são conceitos bastantes abstratos.

Mas nestes anos de guerra, e de desordem, perderam quase todos os animais. E deste modo foram obrigados a trasladarem-se, procurando um alojamento definitivo. Mas a miúde são vítimas de abusos e assédios, tanto por parte dos diversos grupos de movimentos rebeldes (como os 3R, que se servem deles como escudos para justificar a sua existência, e depois poder usá-los e roubá-los), como por parte das autoridades.

Precisamente nestes dias passados, o Prefeito mandou-me a lista dos Peuls, pedindo-me que os atendesse. E nós o faremos com todo o gosto. Mas não gosto de ver que, enquanto as autoridades pedem à Cáritas que ajude as pessoas, as mesmas autoridades se aproveitam delas. Obrigaram a todas as famílias peuls a que façam um documento de identificação (que tem um valor jurídico praticamente nulo), e fê-los pagar. A cifra paga ao Prefeito (5.000 franco, uns 7’5 euros) é algo enorme para quem se encontra em necessidade e praticamente não tem nada.

E dói ver que quem deveria precisamente proteger a população, aproveitar-se dela para enriquecer.









 





A scuola
à l'école

Peuls à Bokongo





 

sábado, 5 de setembro de 2020

Ouro procurado, Ouro desperdiçado.

 


Ouro procurado, Ouro desperdiçado.

Depois da saída dos chineses, de Bozoum, já há alguns meses, ficou comprovado como tinham deixado o rio e as zonas onde escavaram.

Também a Amnistia Internacional voltou ao assunto, com uma declaração transcrita assim: “ Apesar das saída das empresas chinesas continua a ser necessário realizar uma investigação para prestar contas e reparar”. Aqui está o documento em francês e inglês:

https://www.amnesty.org/en/documents/afr19/2708/2020/en/

https://www.amnesty.org/fr/documents/afr19/2708/2020/fr/

No sábado passado, por fim arranjei tempo para ir dar uma olhadela. E descobri a desolação: hectares do rio e margens afetadas por montanhas e buracos, onde se encontra estancada uma água densa e esbranquiçada.

Nenhum trabalho de instalação se fez, apesar das promessas do Primeiro-Ministro, dos Ministros das Minas, do Ambiente e dos Ministros das Águas e das Florestas. Apesar da presença, em Bozoum, de autoridades que deviam justamente desenvolver um trabalho de controlo (Serviço prefeitoral das Minas, Serviço prefeitoral do Ambiente, a Brigada das Minas). Apesar das garantias dadas pelo Prefeito, do Vice-Prefeito, e das várias autoridades.

Os diversos lugares são muito perigosos. Um habitante do povoado de Poyele disse-me que, quando alguém tem que atravessar a zona, faz-se acompanhar sempre, com medo de cair num buraco, ou que a terra se desmorone. Infelizmente os mortos afogados já são muitos. Demasiados.

E enquanto vejo tanta desolação, convenço-me, mais uma vez, de que devemos trabalhar mais e melhor, começando sobretudo pela educação.

 E precisamente por isso, terça-feira 1 de setembro, e quarta-feira 2, reabrimos as nossas escolas.

Fechadas por causa do coronavirus, em fins de março, queremos reabrir agora para tentar recuperar o tempo perdido, e para assegurar um novo ano letivo. O trabalho será duro, mas quanto mais esperamos mais e mais crianças e jovens correm o fisco de perder praticamente dois de escola.

O Governo ainda não fixou uma data para a abertura das escolas, que correm o risco de permanecerem fechadas até janeiro de 2021. E isto não é aceitável.

Ouro procurado, ouro desperdiçado.