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domingo, 2 de junho de 2019

Visitação


Un giocattolo artigianale!
un jouet artisanal!


Visitação

Hoje, dia 31 de maio, celebramos a festa da Visitação de Maria. É a festa que encerra o mês de maio, tradicionalmente dedicado à Virgem, e recorda-nos que Maria, imediatamente depois do anúncio do Anjo, pôs-se a caminho para ajudar a sua prima Isabel, anciã e também ela grávida. E quando se encontraram, João salta no ventre de Isabel, e Maria se alegra com o canto do Magnificat.
Esta semana também eu fui visitar os confrades, os que estão perto e os que estão longe.
Domingo, pela tarde, fui a Baoro, onde cheguei à noitinha, e no dia seguinte pela manhã fui a Bangui, onde cheguei pelas 11h.30m. As estradas começam (ou continuam) a estar cada vez pior, com as primeiras chuvas.
Terça- feira de manhã saí de avião para os Camarões. Vou  visitar as nossas Comunidades que estão em Yaundé, a capital, mas não há voos entre Bangui e Yaundé. Tomei o voo para Duala, a capital económica, e em autocarro fui até Yaundé. Os Carmelitas estão em duas casas (uma paróquia e uma casa de Formação). Juntamente com os Irmãos dos Camarões colaboram também dois nigerianos, um congolês e dois italianos da nossa Província (os PP. Domingo e Marcos). No Convento de Nkolbisson encontram-se os jovens em formação, entre eles há dois estudantes Centro-africanos.
Quarta-feira foi cheia de encontros e reuniões. E na quinta, pela manhã, imediatamente tive que sair. Às 3 horas encontrava-me na estação de autocarros, mas a saída do autocarro das 4 h, foi anulada, e só pude sair no autocarro das 5h. São necessárias mais de 5 horas para percorrer 250 quilómetros. A estrada é boa, o autocarro está em ótimo estado, mas há que ter presente o tráfico enorme que há na cidade.
Às primeiras horas da tarde cheguei a Bangui, onde me esperavam os confrades, com os quais passei o resto do dia e parte da manhã seguinte numa reunião para debater os numerosos projetos e atividades em curso.










Convento dei Carmelitani a Youande
le couvent des Carmes à Yaounde




sábado, 25 de maio de 2019

Luzes e sombras



 

Luzes e sombras
O tempo passa, e termina outra semana.
Sexta-feira passada fui a Bocaranga, e no dia seguinte a Koui, a 170 quilómetros de Bozoum. Esta aldeia, ocupada pelos rebeldes do movimento 3R de Sidiki, é bastante tranquila. Tinha estado aqui há um mês com o Senhor Bispo, e voltei para cumprir uma das promessas feitas: ajudar as escolas e os professores.
Em cerca de vinte escolas, disseminadas num raio de noventa quilómetros, sessenta professores esforçam-se para educar mais de 4.000 crianças. Só há um professor oficial, todos os outros são "maitres-parents": jovens e adultos da aldeia que fazem o que podem para dar um pouco de instrução. E com frequência trabalham durante todo o ano sem que a comunidade da aldeia lhes dê coisa alguma ...
Graças ao apoio da ONG Cordaid (a Cáritas holandesa) podemos pagar uma pequena quantidade mensal de 15.000 francos (uns 22 euros). É pouco, mas já é muito para as famílias dos professores.
A aldeia de Koui é tranquila, e os professores estão muito contentes. Reúno-me com eles, explico-lhe o sentido e as condições desta ajuda, e pela tarde volto a Bozoum.
E depois deste flash de luz e esperança, nos dias seguintes chegam muitas notícias más
No Domingo à noite a Irmã Inês, uma religiosa espanhola de 77 anos, foi assassinada em Nola, a 600 quilómetros de Bozoum. Provavelmente trata-se de um ato de vandalismo, ou talvez de um assassinato ritual.
Na terça e quarta-feira, apesar dos recentes acordos de paz de Cartum (ou talvez, precisamente por causa deles?), alguns grupos rebeldes provocam ataques e massacres: em Pauoa (140 quilómetros de Bozoum) há 30 mortos. Os rebeldes 3R (os mesmos que estão instalados em Kouui) atacaram Loura (170 quilómetros) onde mataram mais de 20 pessoas, e em Bohong deixaram pelo menos 30 vítimas.
 E, entretanto, os estragos da extração de ouro continuam sem alterações….

Scuola di Sambai
école de Sambai


 
Koui

cappella di Ferme Sarki
Chapelle de Ferme Sarki








sábado, 18 de maio de 2019

E... nada!




E... nada!
E nada: Foi uma semana tranquila. Como o podem ser as semanas em Bozoum.
Agora encontramo-nos no fim do ano escolar e, entre os grandes e pequenos compromissos, avançamos.
E nada: os nossos meninos e meninas, rapazes e raparigas das nossas escolas de Bozoum preparam-se para o último sprint. Do Jardim-de-infância ao Liceu, passando pelas escolas elementares, o Centro de órfãos Arc en Ciel, a alfabetização e o Centro de promoção feminina, são mais de 1,500 os alunos que todos os anos acorrem às nossas escolas. Sem contar os outros 2.400 que vão às escolas nos povoados da savana.
 E nada: sábado e Domingo, na paróquia, recebemos alguns jovens das paróquias vizinhas (vizinhas…: Baoro está a 170 quilómetros e Bossemptele a 90) para um pequeno fórum. Foi uma oportunidade para refletir, rezar e deixar-se tocar pelas palavras do Papa francisco: “Cristo vive. Ele é a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo. Tudo o que Ele toca se converte em jovem, em novo e cheio de vida”. Foram eles que animaram a Celebração da Missa do Domingo.
E nada: vamos em frente, dia após dia, procurando escutar e responder às perguntas e às necessidades de muita gente.
E as diversas promessas para controlar, e resolver os problemas criados pela exploração selvagem do ouro, por parte das companhias chinesas? Por agora… nada.



Messa dei giovani a Bozoum
Messe des jeunes à Bozoum




Il cantiere della Radio di Bozoum
Le chanteir de la Radio de Bozoum


Lavori in vista
Travaux à faire...





sexta-feira, 10 de maio de 2019

Semana agitada, com moderação





Semana agitada, com moderação
Domingo, 5 de maio, a nossa paróquia de Bozoum esteve em festa: umas cinquenta pessoas, entre raparigas, rapazes e adultos receberam o sacramento da Confirmação. É o Sacramento da maturidade da fé, do Dom do Espírito Santo, do fogo do testemunho de Cristo (e este é o sentido dos vestidos vermelhos, dos que vão receber o sacramento).
Segunda-feira fui para Bangui. Desta vez fiz a viagem de avião, também por questões de segurança, depois dos problemas das semanas passadas por causa das Empresas chinesas que extraem o oiro. Viajo um pouco preocupado, porque as acusações que me dirigiram, por parte do Primeiro-Ministro, no Parlamento, são muito duras (ainda que ridículas). Ainda assim, viajo tranquilo, porque sei que a minha consciência está tranquila, porque o que fiz estava bem. E também porque há muita gente, um pouco de todas as partes do mundo (desde Bozoum a Bangui, da África-Central à Europa, e a outros lugares) que me ajuda e reza por mim.
Na quarta-feira, no início da tarde, fui a uma entrevista com o Primeiro-Ministro. Estive acompanhado pelo Bispo de Bangui, o Cardeal Dieudonné Zapalainga e pelo Bispo de Bouar. O Cardeal tem uma autoridade impressionante e é respeitado por todos.
O Primeiro-Ministro recebeu-nos juntamente com os três Ministros implicados no problema das minas de oiro de Bozoum: o Ministro das minas, o do meio ambiente e o das florestas. Com o coração e o pensamento nos milhares de pessoas de Bozoum, que sofrem a causa da injustiça desta indústria da extração, nós expressamos em viva voz os seus problemas e preocupações: o desastre ambiental do leito do rio escavado e alterado, a contaminação da água, e as consequências económicas nas Comunidades locais.
Apesar de algumas ameaças e críticas, o Governo reconhece que tinha havido alguns erros, e decide que se mande a Bozoum uma nova Comissão de investigação, e que pedirão à empresa chinesa que inicie os trabalhos prometidos (uma escola, um dispensário e alguns poços) e que ponha em ordem o leito do rio.
São promessas, mas espero que se consiga algo em concreto.
E em concreto, nós iniciamos os trabalhos para a construção de uma Rádio Comunitária aqui em Bozoum, financiada pela Minusca. Uma iniciativa que permitirá informar e educar, em um país onde a Rádio é muito ouvida e seguida